quarta-feira, 25 de Novembro de 2009

UMA VERDADE ENCRAVADA

A voz ainda se liberta entre as entranhas de um coro que ninguém ouve, ante uma verdade encravada. O fogo alterno aguça as conciências, por uma seriedade estática, talvez venha dissolver todas as forças que antes houveram operado. Cancelamento! Ausento-me e tento esquecer os passos da viagem iniciada naquele dia, porque chegaram dias mais importantes! Todas as críticas ficaram no celeiro do entendimento, esperando os dias da oportunidade, uma força mais altaneira, mais imperiosa...
Continuas a olhar-me, continuas a traçar uma outra dimensão, aquela da qual ainda ninguém sabe! O tempo possibilita a transformação e todo o envolvimento deixou de ser credível; perdi-me entre conceitos e figuras para abater! Os meus passos encravaram na caminhada dos sentidos... outras vertentes se avizinham.

Vila Real de Santo António, 25 de Novembro de 2009 - 10:24h
Jorge Ferro Rosa

terça-feira, 24 de Novembro de 2009

HARMONIA DO SEM NINGUÉM

Uma pausa... um silêncio
Um estar indo estando...
Um desejo que se lança ao mar!
Harmonia do sono, nas calmas
Indiferença ao vento
A passagem que se toma,
Ir lentamente, ficar
Com alguém e sem ninguém.

Dentro do silêncio há coisas que não consigo perceber, apenas sinto a vontade desse mesmo silêncio, dessa vertente se perpectuar de uma forma acentuada, mas de modo tal que dizendo não diga nada. Mais uma experiência, mais uma incompreensão... e que fossem as coisas na rectidão, a morte acentuada, fria, cortada na pele como quem corta a água com uma faca, ou como quem usa um serrote para cortar a lenha de uma árvore. Que sejam as coisas indiferença ante o princípio da fatalidade, mesmo que o sono não opere, mesmo que tudo não passe de uma ilusão constrangida por todas as partes implicadas nesse mesmo processo que nunca se entende...
Porque é que as pessoas são tão complicadas? Para que serve tudo isso? Nunca vou conseguir entender e revolta-me tudo isso.
Um peso tornou o meu coração mais pesado... lidar com o outro é uma arte... mas para quê compreender o outro? Esse outro é mais complicado do que toda a minha complicação junta...
Fico por aqui só no reino das palavras e do silêncio que encerra o capítulo que não chego a abrir. Vejo e ouço o telejornal... chega de jogos de palavras e rejeições... todos os dias acentua-se uma. Todos os dias caminho numa harmonia do sem ninguém com todos, criando as ilusões que não fazem sentido. Sabes o que sinto? Não te posso dizer, no momento se o dissesse, seria muito mau mesmo, demasiado. Agora fico tomado no meu cantinho, na prfundidade de todos dos meus desejos que não são de ninguém nem de quem pense que tem acesso ao meu ser. Tudo em mim cerrou desde o tempo dos frutos inchados, desde a colheita dos olhares atravessados e das mentiras que sugaram o princípio da confiança. A lei aplicada em momento adequado serve para corrigir o que de outra forma alguém o poderia fazer... que seja outra explosão de universo e que se mova só um pouco a frente do Saturno! A realidade é a luz da ciência e não das tretas da ficção... e venha a noite e nos braços dessa mesma noite eu adormeça e fique pelo seio da eternidade onde nem mais uma pulsão se sustente.
Interpreta como queiras... o silêncio guarda-me e deixa andar num desprezo intemporal. Os que são muito fortes também têm o outro lado frágil... já vi isso. Agora o caminho é outro e a água corre no meu peito que está a decompor-se face à imensidade de todos os mortais, tão lentamente quanto o teu pensamento. Até lá... a esse lado de ninguém e que a morte seja o remédio para esses azedumes interiores.

Vila Real de Santo António, 24 de Novembro de 2009 - 19:54h
Jorge Ferro Rosa

segunda-feira, 23 de Novembro de 2009

EMBATE VIDRADO

Fortaleza de todos os sons,
Embate vidrado das metáforas
Sorriso comprometedor, engano
Lance de uma bola, tantas...
Desastre dos planetas
Uma folha de papel cheia...
Um arrepio, um cheio vazio!
Um começo sem nada saber.

Vila Real de Santo António, 23 de Novembro de 2009 - 23:20h
Jorge Ferro Rosa

domingo, 22 de Novembro de 2009

FLUXOS DE INTERIORIDADE

Uma filosofia para a actualidade, um outro olhar, uma superação comedida ultrapassando o jogo de palavras e frentes derrubadas. Um chamamento à modernidade? Novo encerramento, novo começo? Um método como catalizador de harmonia? Equilíbrio… do quê? Urgência interior de traduzir o que perturba… mas afinal o que é que perturba? Algo falta… razão e transparência de conforto! A circunstância ergue a ponte… com a pretensão que o sujeito se conheça a si próprio. Formas e outras agitações ante o desencanto. Resta harmonizar o si em si mesmo, moderando o sonho no reino das calmas e da plenitude. Harmonia entre o pensar e o fazer, conjugando as partes num todo consistente pela valia do equilíbrio. O desencontro depois do encontro afasta, separa e pode instaurar a inquietação, ainda que as condições do entendimento estejam disponíveis.
Inquirindo acerca do todo, o que resta é uma explicação deficiente, tal como a tua, contudo, as alternativas estão na ordem do dia. Afinal, sabes o que compõe e dá sentido à pessoa? Multiplicidades de campos para segurança e tranquilidade.
O ser reconhecido por todos implica uma estabilidade, sustenta os tentáculos e executa o equilíbrio. Vive-se de apetências e jogos que se executam…
Qual a relação entre a vida e o pensamento? Opera-se um abismo discreto… como tornar a ligação viável? A realidade está cheia de abismos, lugares estranhos, existindo a fuga entre o conhecido e o desconhecido. A emoção executa-se no sujeito, agita, coloca em ebulição a consciência… mas, o que é isso? É necessário clarificar os mistérios da emoção pela razão, eliminar o lixo que entope a paz. Como fazer isso? Qual a metodologia adequada? A filosofia é orientada pela clareza… será que se conhece a realidade tal qual ela é? O sentir é sempre o sentir do sujeito nele próprio… o sentir das coisas é o que confere estatuto de realidade no sujeito? Como é que isso acontece? O que capta a realidade é um sentir que é próprio do sujeito, de acordo com as suas características, ele em si mesmo. Jogo de sentimentos e emoções; esse jogo é por cada vez sempre original e desconhecido de todo para o todo. O diferente é sempre a surpresa, agita os fundamentos implementados!
Aqui, no café, olho a todos os presentes, num olhar coloquial, escapando-me o acesso à interioridade, aos sentimentos… não passam de imagens pouco acessíveis. O comum a todos é o existir, o estar entre outras propriedades… o que é o semelhante? Será que preenche? Não sei. Temos ideias… mas de quem é a ideia? Qual a ideia da ideia? Qual a ideia de tempo? Existe a ideia fora do tempo? Fogem fluxos de algo que não sei, mas sinto que se escapa qualquer coisa. Como é a relação que cada qual tem com o tempo? Falo-te do tempo em si e não das condições meteorológicas. O tempo assusta? Convive-se com esta situação e na situação transformamo-nos todos os dias… É necessário trazer à luz o que prevalece na escuridão.

Vila Real de Santo António, 22 de Novembro de 2009 – 12:30h
Jorge Ferro Rosa
Escrito no café “O coração do Marquês”

LEITURAS ENTRE SONS


Na estranheza do teu olhar percebo aquilo com o qual não me identifico, num desatino desaprovado ou ainda em tempos de aprovar. Surpresa ou mentira é a faixa do olhar. Vou para os espaços errados, olho para as pessoas que nada vêem em mim aquilo que está e o que está não faz parte de mim. Estou onde não devia estar e depois perco-me entre tons do nada para um nada tão esquisito quanto as interpretações que se possam fazer.
Eles estão quando eu não estou e porque de seguida vou, fica sempre alguma coisa que não sei bem o que é, talvez simpatia ou antipatia! Assistência parece-me vazia em trajectos difusos de um grupo meio estranho quanto as tuas formas de observar. Um silêncio de ritmos e rostos estranhos estão à minha frente. A lei não funciona, encravou. Lamento o ambiente de cordas desencontradas do tamanho que nada têm a ver comigo, entre uma multidão. Ritos do desencontro num nada que sendo tudo também morre, porque parece que aquilo que leio deixa de ter significado ou os significados estão ultrapassados.
A aldeia está vazia, meia dúzia de pessoas assistem a um espectáculo de milhares… estranho! Uns bebem umas cervejas e ali ficam com o copo na mão, com conversas de encher, da treta como normalmente acontece… olho, penso, continuo a pensar e vejo que alguém importante está por ali perdido, nada mais do que isso! Cumprimento, volto a cumprimentar porque sei que a cultura respira-se noutras vertentes… a porta fica aberta e saio a meio do espectáculo… vou ler o jornal, são as últimas, belas como não podia deixar de ser. Fico contente, não faz muito tempo falei contigo ao telemóvel e tudo toldou, apenas abriram-se vertentes e a alma foi lascada, isso eu já sabia. O que ficou desta vez? Não sei! Esqueço, mas o jantar foi muito bom, foi o continuar da festa do meu aniversário… mais ou menos como eu tinha pensado.

Santo Estêvão de Tavira, 21 de Novembro de 2009 – 23:02h
Jorge Ferro Rosa
Escrito na Casa do Povo de Santo Estêvão (formato telemóvel)

sábado, 21 de Novembro de 2009

TOMAR CAFÉ ALGURES


Tomar um café e imprimir a presença entre as rotas que a seguir se vão implementar... eh eh eh é sempre a mesma coisa. A esplanada está cheia, olho, continuo a olhar e não vejo ninguém. Estou só no meio da multidão, mas, é sempre o mesmo mas, não param as interpretações... avanço, vou para dentro, sento-me, peço um café, um copo de água... o pensamento começa a funcionar, tudo começa, tudo avança, tudo tem mais um altar... aquele pensamento sustenta-se na minha mente, diria que quase proíbido, mas, tenho que avançar para outro campo, sinto que preciso de escrever, arranco uma folha do caderno, escrevo até ter sementes na alma, lanço-as todas, pelo menos no momento e deixo-me ficar, enquanto olho a quem entra e sai, tento ser discreto mas é fantástico o que observo. Surgem recordações, toneladas, com misturas de saudade... surge-me um sorriso, evito porque não é o momento mais adequado... tal situação faz-me escrever. É assim uns momentos que se passam no café...

Vila Real de Santo António, 21 de Novembro de 2009 - 10:55h
Jorge Ferro Rosa

sexta-feira, 20 de Novembro de 2009

CIRCUNSTÂNCIAS CONTROVERSAS


(conversas com uma amiga especial, a Isabel)

As aulas terminaram, senti uma vontade enorme em escrever, senti no momento que era o mais importante para mim, mais do que ir aos fados, coisa que não faço há muito tempo. Sinto saudades, confesso, tal como sinto a falta de alguns amigos…
Chegar a casa, pegar o telemóvel e ter uma conversa com uma amiga que adoro... as palavras seguiram, umas atrás das outras...
Confesso-te que todos criticam todos... uns dizem que tenho mau feitio, o que reconheço; sou criticado por colocar fotos ou não, mas, por norma coloco só as minhas para evitar situações, penso que ainda que alguém seja importante, pelo menos aqui não tem esse privilégio ainda que eu o considere. Um dia alguém fez essa observação, como tal essa pessoa para mim morreu, perdi toda a consideração que tinha por ela e o que ficou foi apenas lugar para outras que mereçam o dar-me de conta de tais criaturas. Paciência, coloco aqui o que me apetece e quem não gosta que faço pois que não veja. Há com cada coisa, com cada peça espalhada que até manda respeito...
Confesso-te que não me arrependo de nada do que fiz até agora porque tudo tem o seu momento para essas mesmas coisas. Poderia ter feito melhor, confesso! O que conta afinal? A saúde está em primeiro plano... vingar-me de mim? Não. Tudo são ensinamentos... contudo partilho que em breve irei fazer uma pausa por aqui e não sei quando voltarei… muitos aconselhamentos?
Aconselhar é delimitar a forma de agir da pessoa ou das pessoas... é dar perspectivas, é dizer para seguir um caminho; se sigo, fico na dúvida; se aconselhar abro portas para corrigir situações que estão a denegrir... abro os prós e os contras. Não abro trilho, para pessoa seguirem, em acordo com as circunstâncias; acompanhamento filosófico não é um impingir, é abrir horizontes. Penso que os possas abrir enquanto e tempo, mesmo que eu já cá não esteja…
Coisas tão tolas... a morte dos namorados! Onde está o entendimento geral de certas interrogações? Tanto para falar... tanto para dizer, pensar a 200 à hora e outras tantas rotações… parsecs. Perguntarás o que é isso…
O que é a amizade? É apenas um acompanhamento, sem aconselhar, mas dar exemplos... somos levados e tiram-se conclusões. Gostei do tema que falámos na aula, recordámos imensas situações, pena não ter mais lágrimas…
Experiências e desilusões... crio paralelos de apreciação entre o aconselhar e o acompanhamento. E tu que crias?
Usos indivíduos são o que são... aconselhamento e acompanhamento; posso fazer acompanhamento aos alunos por causa da auto-estima, porque uma pessoa com baixa auto estima gera inveja, por causa das evidências da relação de uns com os outros e gera-se a dor. No acompanhamento filosófico nunca ninguém se sente preterido, as tensões aliviam com uma história pessoal que desanuvia todo o ambiente, mas para isto precisa-se de experiência nos mais diversos sectores. Confesso-te que os trabalhos ensinam-nos, as amizades inclusivamente. Abrem-se portas e surgem outras criaturas…
Não será um desabafo algo agradável para o amigo? Mas para onde foi o amigo de que tanto se gostava? Acompanha-se os amigos mesmo à distância e não se aconselha. A ninguém se deve aconselhar, porque sendo excelente situação, pode ser inadaptada... afastamo-nos pelo conselho dos outros e conheço tanta gente assim... é bom dar a entender aos outros, é bom que se observe... Muitos têm o nariz arrebitado e tu tira as tuas próprias conclusões ainda que tristes. Quem te entende? Quem te apoia? Quem te critica? Acompanho-te e abro-te uma janela. Chega de egocentristas, com misturas de capitalismo, chega de amigos inúteis... se para ti o que conta é a parte material e a seguir a espiritual, então essa superioridade não presta, mostrou-se depois pela atitude. Incomodaste mas em nada serviu... o que resta? Nada, isso que és!

Vila Real de Santo António, 20 de Novembro de 2009 - 21:54h
Jorge Ferro Rosa

ACONSELHAMENTO FILOSÓFICO



Não te vou falar dos métodos que nos últimos tempos começaram a surgir na Filosofia Contemporânea, nada disso. Apenas deixo pedaços do que sinto neste momento... As histórias do acompanhamento filosófico ou aconselhamento filosófico estão aí, há uma ebulição, uma nova vertente, um novo olhar! Isso mesmo, estão a chegar... desta vez penso debruçar-me sobre isso e tanto mais. Como sabes, a minha insatisfação conduz-me para campos ainda mais longínquos...
Livros e mais livros começam a chegar ao mercado, novos pontos de vista, novas metodologias, desde as escolas dos pré-socráticos até aos dias de hoje. Sócrates foi o impulsionador da avalanche do aconselhamento filosófico. Hoje em dia fazem-se estudo, Zambrano está na ordem do dia, é mesmo acutilante a fasquia de suas maravilhosas páginas... nomes contemporâneos começam a conquistar a praça dos discursos e dos apoios, das verdades soterradas onde existem espinhos que precisam ser removidos. Quando não precisam esclarecimento para esses problemas da alma, quantos não se interrogam e seguidamente não procuram respostas em campos cujas mesmas entidades em vez de resolverem pelo raciocínio não os deixam a dormir com medicação, uma dose de sedação e controla-se o assunto, mas em termos de resolução não me parece ter feito nada. Nada mesmo. Nos últimos tempos tenho vindo a ter alguns contactos com doutores da credibilidade filosófica e sublinho que tais posturas me têm feito pensar bastante, que afinal a filosofia não serve só para aborrecer os estudantes, mas serve para dar soluções a problemas vindos das mais diversas etiologias. Nada complicado! Querer e acreditar num consultor filosófico é o primeiro passo... vejamos, eu que gosto e acredito na Astronomia, se pensar na Astrologia, e que me desculpem, mas tal princípio, que respeito, a mim não me diz nada. Coloque-se por um lado a vertente mítica e por outro lado a vertente científica. Será que isto se entende? O Acompanhamento ou Aconselhamento Filosófico ensina a pensar, a orientar para que os problemas se possam resolver, mas de cabeça fria, lúcida, para tal, urge colocar de lado a vertente emocional que é um obstáculo epistemológico à sessão. É necessário separar as coisas, é necessário sobretudo querer mesmo, mas querer mesmo, é pensar pela razão, por aquilo que é e não pelo que não é, ou pelo que da ou faz jeito. É por estas e por outras que os Psicólogos não dando conta do recado, reencaminham para a Psicoterapia. Ficará o problema resolvido? Entendo que o mundo e a perspectiva de vida tem de ser vista de outra forma, de um modo saudável e fazendo transbordar positividade. Aconselhamento Filosófico nada tem a ver com os misticismos ou crendices de um povo sem conhecimentos, ao contrário, baseia-se na credibilidade da lógica e da eliminação daquilo que borra o problema.
O aconselhamento filosófico orienta racionalmente o sujeito a encontrar o sentido para sua vida, esse que parecia perdido face a uma névoa que não deixava ver a realidade tal como ela é. Filosofar consiste em pensar pela sua própria cabeça, pois que se pense e resolvam-se todos os problemas na harmonia daquilo que é racional, lógico, uma vez que a filosofia é altamente lógica.

Vila Real de Santo António, 20 de Novembro de 2009 - 12:42h
Jorge Ferro Rosa

quinta-feira, 19 de Novembro de 2009

SEMPRE A SOMAR MAIS UM


Para já o meu obrigado a todos os meus amigos que estiveram comigo neste momento, às dezenas de mensagens por telemóvelrecebidas, os presentes nas festas e todos os gestos bonitos. Fico muito grato a todos. Amanhã encontraremo-nos no Clube da Simpatia, vamos estar lá? A partir das 16h depois segue-se o jantar... música, confraternização e claro muita amnnação mesmoooooooo, o resto logo se vê! Falta sempre algo, mas deixa andar...
Obrigado de coração a: Manuela, Cristina, Jorge, Isabel, Rui, Fernanda, Pedro, Gisela, Silvia, Filipe, Andreia, Maria João, Rosário, Barradas, Vera, Tina, Hugo, Ana, Nuno, Salomé, Fausta, Leandro, e outros tantos.... mil vezes obrigado.. eh eh eh eh Pena algumas pessoas não poderem ter comparecido por diversas razões que compreendo.
Grato aos meus alunos que não se esqueceram de mim. Gosto mesmo deles!
Dia marcante... a festa termina daqui a cinco dias. Até lá eh eh eh


A festa da vida continua, esta é uma foto que mostra alguns aspectos do meu estar com os amigos, não coloquei a foto deles porque acho que não iriam gostar de ver aqui as suas caras na net, especialmente no meu espaço, contudo coloquem essas mesmas fotos se entenderem nos seus espaço e da melhor forma... continuo a brindar à vida, porque tudo passa muito depressa. Alegrias e tristezas, mas essas lanço-as para o lixo. Amanhã é novo dia e vamos ver quem continuará a viver...
Vila Real de Santo António, 19 de Novembro de 2009 - 10:08h
Jorge Ferro Rosa

quarta-feira, 18 de Novembro de 2009

DO QUE FUI OU DEIXEI DE SER

Em vespera de mais um aniversário, é tempo de reflexão sobre muita coisa, ficando tanto por dizer ... Jorge Ferro Rosa
Pensar! Olhar para o meu interior se é que ainda tenho interior... lançar para fora tudo o que já não presta mais, deitar mesmo para o nada tudo aquilo que pertenceu a um tempo de vida. Levanto as mesmas questões ou essas mesmas questões inquietam-me! Quem sou, o que fui, e para quem fui aquilo que fui no tempo que fui...! Um ano, talvez algo que não sei muito bem o que foi, nem sei se valeu a pena considerar tal vivência. Gente que conheci, outra que esqueci, muita coisa que passou. Ensino, mudanças, eleições, Ministério da Educação… revoltas, insatisfações… toda uma retrospecção a considerar. Defeitos, justiça ou injustiça... sei lá, tantas coisas; o facto é que estou à beira de passar para mais um ano, perto do indizível no espaço cósmico... novos conhecimentos, novos interesses, áreas de estudo…
Muitas ilusões, desilusões... bater imensas vezes com a cabeça na parede, contudo parece-me que falta aprender imenso, apesar de a idade ir passando. Fará tudo isto sentido na minha vida? Tanta gente faleceu! Imensa… tantos acontecimentos marcantes.
Será que algumas pessoas merecem a minha amizade, a minha consideração? Procedi bem? Mal? Creio que muitas vezes nem tenho resposta! Se pudesse voltar atrás, alguma coisa mudava, acho que teria ser preferido nem ter conhecido certas pessoas, outras sim, essas sustento-as no meu coração... E os velhos amigos? Onde estão esses? Onde? Alguns prevalecem, outros nem por isso, usaram quando precisaram, nada mais... e bati com a cabeça na parede, fiquei com cabelos brancos. Que ganhei com isso? Experiência. Creio que há muito ainda para aprender... muitas dores de cabeça e de alma! Entendo que há gente de quem nada mais espero, há gente ingrata, hipócrita e que só liga por interesse, confesso que esse tipo de gente não me interessa para ter como amigo ou amiga. A vida é mesmo assim, um lugar de experiências, de coisas boas e más... todos os dias tenho aprendido imenso. Mas aprendi com quem? Colegas, alunos, conhecidos, familiares... e o que ficou? Quem está? Andei pela política, desiludi-me… respeito! Política, Futebol e religião, desculpa, mas coloco de lado… agora estou mais virado para a astronomia e não confundas com astrologia, porque isso para mim é mito. Custa-me desabafar aqui algumas coisas, mas se as dissesse penso que ia agitar algumas consciências, chocar outras e para arranjar mais lixo prefiro nem me pronunciar, um pouco de diplomacia é o melhor. É necessário precaução alguém me disse isso um dia. Sei que por vezes confio logo nas pessoas e depois dou-me mal com a situação, acabo por perder aquilo que tanto queria. Saramago veio dar-me razão em algumas vertentes… lógica e raciocínio a funcionar. Chega de filosofias religiosas e da treta… amanhã é outro dia mais interessante. Espero que o possa passar com pessoas que me merecem e se alguém vier para junto de mim, apenas para fazer um frete, agradecia que nem aparecesse, nem me dirigisse a palavra e nem os parabéns me desse, porque há gente que só me manda os parabéns por cortesia, dessas pessoas dispenso, prefiro antes o seu silêncio, desculpa ser assim frontal, mas como diz o ditado, “mais vale só do que mal acompanhado”. A vida continua e vivam os que realmente são dignos da minha consideração…

Vila Real de Santo António, 18 de Novembro de 2009 - 23:15h
Jorge Ferro Rosa

VONTADE MEIO ESTRANHA


Uma vontade meio estranha de dizer não absorve-me... outra sobrepõe-se, misturam-se as duas entre os ritmos, agita-se uma cor nos céus da alma, a temperatura desce, mas os acertos vão-se fazendo lentamente... tudo flui por uma medida que eu próprio desconheço; avança, dilata-se pelo infinito em fora, como forma de perder o rumo a tudo o que se possa pensar. Um alcance justifica sem justificar nada... fica apenas uma inquietação de um cosmos que não posso precisar. Vou sem destino, liberto-me das fronteiras, vejo que o mundo é pequenino, sinto que algo mais é bastante forte, sinto que tudo o que penso é pouco para poder abarcar aquela dimensão que um dia pensei alcançar. O que consegui? Nada! E tu? Que fazes aí? Também não tens resposta para me dar... ignoras as minhas tretas, mas as tuas são essas mesmo que te acompanham, fazem de ti isso que já vi, um aglomerado de massa para destruir em dia a acontecer, restará apenas poeira do Universo e pouco mais se sabe. Descobertas? Espaço a dilatar-se? Para onde? Que mais dizer quando tudo o que se possa dizer já em nada acrescenta? Não sei!
Amanhã encontramo-nos e vamos brindar a minha festa, depois continua, continuará também depois. Agora alguns trabalhos a fazer, mas tudo se resolve, só pode ser. Um de cada vez; este já está. Sim, telefonei-te várias vezes e claro, finalmente aconteceu a música... sinfonias do universo telefónico, maravilhas que se corrompem no tempo, onde me perco todos os dias. Por onde andas agora? Impossível... eu é que quero coisas que me estão proibidas, não que sejam proibidas, mas que me estão vedadas. Hoje saí da escola a correr, muitas tarefas a cumprir... e depois como é? Não sei, também não interessa muito arranjar situações de preocupação, nada disso. Preciso de ficar só por alguns instantes, preciso mesmo, o resto esquece porque é mesmo para esquecer. Não sei que mais te falar, mas esta vontade meio estranha fazia-me percorrer quilómetros de distância sem parar, como se fosse encontrar a felicidade no fim do percurso! Possível ganhar acaso a boa vontade reinasse... mas nada é assim tão fácil como se escreve.

Vila Real de Santo António, 18 de Novembro de 2009 - 14:44h
Jorge Ferro Rosa

terça-feira, 17 de Novembro de 2009

PREPARATIVOS PARA A MINHA FESTA


Mais uma visita, duas ou três... planos fofinhos a concretizar para os próximos dias eh eh eh pois é! Mais um Outono a completar, faltam apenas dois dias! Sim, isso só falta passar amanhã e depois! Boa? Como vai ser? Tempo de festa, tempo de realidades e convívio, nem mais... assim é que é. O que interessa é ir fazendo sempre mais um ano, um por cada vez sem muitas complicações. Tudo se resolve. Bem, o que interessa é que sejam poucos mas bons, mas como não se consegue tudo num dia, serão cinco dias de festa, começa quinta e só acaba segunda-feira! E esta? Pior do que os ciganos. Já alguns dos meus amigos manifestaram interesse em estar com este escorpiãozinho malvado... sim, alguns, como tal, todos os verdadeiros amigos são bem-vindos, mas só esses. Amigos em festa, nem mais, tudo para a frente... sempre a abrir! Gosto dos meus amigos, gosto daqueles que estão no meu coração, pena algus que estão longe não poderem estar... estamos nos preparaticos. Tudo em festa...
Alguns nem dão sinal de vida, mas desses pouco interessa, deixa andar... tudo se resolve. Não esquecer que tudo paga a sua refeição, é que as finanças não estão muito gordas e sabem como é, mas, quem está comigo não é pelo pagar ou deixar de pagar mas sim pelo prazer por estar. Boa? Compreendo que existem esses que têm sempre as desculpas do emprego, da casa e da família, claro, os filhos são sempre razões de força maior para justificar a causa. eh eh eh dessas já percebi faz muito tempo. Nem mais a vida continua...

Vila Real de Santo António, 17 de Novembro de 2009 - 19:26h
Jorge Ferro Rosa

segunda-feira, 16 de Novembro de 2009

DEPOIS DA ORDEM DA JANELA


Fiquei, não sei se fiquei, não sei se o meu sorriso agora é verdadeiro, apenas estou aqui a tentar ver o que se passa lá fora, ainda que pouco me possa importar. Imenso trabalho, reuniões, mas tudo se resolve, todo o resto não passa de uma situação aparente... uma tarde sempre a bombar, sempre a despachar e tudo foi concluído. Sempre em forma, mesmo com o cabelo cortado, tem de ser... veio um vento e levou o cabelo todo, todinho. Surpresa? fiquei diferente? Era para não ficar? Impressionante? Alguma coisa a mais? A menos? Coisas estranhas? Tudo se resolve... continuo com a minha boa disposição e respiro fundo para arejar os pulmões. A noite guarda surpresas, todas excelentes.

Vila Real de Santo António, 16 de Novembro de 2009 - 22:10h
Jorge Ferro Rosa
Escrito na Sala de professores da Escola Secudária de Vila Real de Santo António.

domingo, 15 de Novembro de 2009

AQUELAS COISAS TODAS


Aquelas coisas todas deixaram-me cansado, muito para que saibas e para te dizer mais encontro-me em constante insatisfação. Tudo desligado, tudo ao lado, sem a vontade que tu possas entender e porque é fim-de-semana, preciso dormir, preciso ficar só. Hoje estou só, ausente de tudo e de todos, mas perto do nada.
Não me apetece comer, por mim nunca comia, apenas bebia! Não me apetece não me apetecer, mas apetece-me algo, ainda que todo este algo seja estranho.
Sinto frio e calor, sinto vontade de partir sem destino, mas fico na cama, no escuro, no silêncio, com a ausência de sons, com a totalidade daquilo que não tenho. Fiquei esquecido na prateleira do tempo e nada mais me interessou. Uma resposta vazia, um percurso que não se sustenta, por uma praia sem ninguém… porque o sangue ainda está fresco e porque a verdade fez inchar o coração. Descanso com o cansaço de um corpo que pareço não ter, ou tudo o que tenho perco na imediatez da consciência, por uma sombra de passos ocasionais.
Hoje não me apetece sair de casa, tudo me parece diferente, não tenho a vontade dos outros dias, nem a disposição que houveras entendido em mim. Talvez esteja doente, mas creio que vai passar, como tudo o que até aqui tem passado entre os resfriados do tempo incerto; ainda assim, os calores fazem petição de toda a pilosidade, decretam outros movimentos, ainda que deles me tenha distanciado; isso, coloco ao lado todas as vertentes políticas e religiosas ou elementos conflituais dos quais sinto aversão.

Vila Real de Santo António, 15 de Novembro de 2009 – 16:12h
Jorge Ferro Rosa

sábado, 14 de Novembro de 2009

REPRESENTAÇÃO DA NOITE


Hoje é daqueles dias que não devia escrever no blog! Hoje e na volta todos os dias. O tempo passa em desacordo com tudo o que quero e o que tenho para fazer e aquilo que tenho para fazer não o faço, porque a gestão não é a melhor. Desejeva partilhar algo contigo, mas não posso. Como posso se não me permitem? Também não posso dizer mais o que sinto ou o que deixo de sentir... digo só algumas coisas. Fiquei em casa enquanto muitos dos meus amigos andam a dar as suas voltas, outros inventaram desculpas para não estar comigo, outros ainda nem atendem o telemóvel, depois logo hão-de vir com as desculpas que já estou habituado. As mesmas tretas de sempre. Não sei para quê tudo isso. Mas confesso que estou cansado, amanhã será mais uma desculpa. Sabes o que depois se sente no meio de tudo isto face a essas mesmas pessoas? Bem, não digo, mas deixo que imagines. Sabes qual a credibilidade? Também penso que saibas. Achas que me vou aborrecer? Nem pensar, mas fica tudo registado. Melhor é descansar e proceder para essas pessoas da mesma forma, nem tirar nem pôr. Seria bom ninguém precisar de ninguém... por isso passo muito do meu tempo tomado nos meus pensamentos, nos meus escritos, estes e outros que aqui não coloco. Sabe-me bem e dá-me um certo prazer.
É preciso saber dizer não, ainda que por vezes possa custar, ainda que o não seja um sim dentro, mas é necessário fazer ao outro sentir que afinal eu também sou gente e não estou só ali para quando os outros precisam e que quando eu preciso dão-me com os pés na cara. Lei da vingança também é necessário!! Depois? Depois deixa andar que logo tudo se resolve; ou não achas que o cansaço também se instala em mim? Também sou gente... agora é a minha vez de reclamar. Comportamento gera comcportamente e desculpas a mais já me fartaram. Por isso não contes mais comigo para nada, sabes que mais? Morri para ti! Nem mais... o que possas ver de mim é uma representação que tem a sua autonomia. Deixa o resto porque na noite nâo notarás a diferença.
Agora deixo-te aqui a rosa negra da noite que colhi em Odeleite, num curto passeio, mas que em bom momento me soube bem.

Vila Real de Santo António, 14 de Novembro de 2009 - 20:14h
Jorge Ferro Rosa

ENTRE OS TRONCOS DA TARDE

Assim está melhor, muito melhor, outras fotos em outros lugares ah ah ah ah
Olhando pelas fronteiras do tempo, olhando tomado aos troncos das árvores que se perdem, outras que abanam e outras ainda que esperam por mim. Projectos a seguir e nem por isso outros vão mais longe. Por aqui agora, pincelando com as minhas palavras, descrevendo vontades que diminuem ao longo dos tempos... outras que aumentam, talvez debaixo da boina da tarde… tanto e tanto mais.
Agitou-se dentro de mim algo estranho, sim, nem soube proceder à gestão da respectiva situação... muito calor, talvez a mais, talvez uma dose elevada de febre, uns abanos no corpo e depois um bom banho de água gelada e logo a seguir o corte de cabelo fez o abalo completo! Sou mesmo azedo! Pente zero para variar desta vez, cabeça rapada!
Não era capaz? ah ah ah isso é que era bom, sou capaz disso e de muito mais. Tu só fazes é trafulha, só gente trafulhenta é que me aparece, gente que complica e depois... veio um vento muito grande e tudo levou! Agora, tudo mais fresco... porque o Outono está a chegar ao fim. Poeiras do Universo numa galáxia desconhecida...
Bem, a tarde está aí e hoje não é para aliviar o cansaço da semana e chega de preocupações exageradas... mais um pouco e sempre a bombar por rumos sem destino, ou cinema ver 2012 ou outra coisa parecida, apesar de ficções já não me preencherem o âmago. Ir ou não ir eis a questão! Contudo, ver gente é sempre bom, faz bem ao Ego, é preciso descolar daquilo que passa pela vertente da rotina. Cabelo azul, um toque discreto de perfume, um perfume de que gosto, e o pé carrega bem ao fundo o acelerador... tudo a bombar! Ainda não sei o destino nem lugar por onde irei, nem sei se vou. Sessão da tarde com variedades, cenários do amor e da verdade... vamos por aí, sem mais parar, sem mais voltar ao início.

Vila Real de Santo António, 14 de Novembro de 2009 - 12:38h
Jorge Ferro Rosa
Nota: Não te esqueças que Dia 19 é dia da minha festa? Podes te ir inscrevendo se entenderes ou mandares mensagem, mas já sabes, cada um paga o seu jantar. Eu levo o bolo, nem mais... muitas fotos... tudo a abrir.
Nota: Întemporalidades do Azul

sexta-feira, 13 de Novembro de 2009

APENAS MINUTOS

Tudo isso não me diz nada, nem quando passas nem quando a passagem se molda por outros pontos, ainda que queiram dizer alguma coisa, sinto que são falsos. Tudo isso é um isso ocasional, tal como esse sorriso hipócrita, falso, cheio de grandezas e superioridades que aborrecem! Aborrecem? Não. Eu apenas é que me engano, na maioria das vezes engano-me e depois tiro outras ilações, mas uma fica sempre. Simplesmente não me apetece estar contigo e poucas são as pessoas que preenchem a presença; dessas também não sei o que direi, são inconstantes e o pouco tempo que têm é para tudo menos para me dar cinco minutos de atenção. Aqui escrevo palavras que não servem para nada, nem para dizer o que poderia dizer de outra forma. As pessoas são mesmo assim, complicadas todos os dias. E agora? Agora como é? Não sei, nada espero, mas também não esperem nada de mim, desacreditei-me em tantas das situações que me foram apresentadas... apetece-me dormir. Dormir para parar este cérebro, para dizer não e para depois mergulhar no descanso, esse que me preenche anulando todas as tretas que consegues semear para a minha beira. Fecho os olhos e depois sigo por outro caminho... agora vou dar a minha volta sem destino, depósitos de combustível para queimar, forças a rebentar, música em alta rotação... deixa isso, continuo com a minha disposição, deixa tudo e todos porque o meu estado é diferente. Apenas alguns minutos e já não estou mais aqui... não me procures porque a tua imagem é tão vazia quanto tudo o que possas pensar. Continuas a pensar? Esquece, vai dormir porque é cedo para a compreensão... chega de filosofias de encher e de tretas que não explicam nada, chega de exibições, chega de nada somado a nada. Sabes o que significa dizer chega? Sabes mesmo? Não podes saber... eu é que tenho de isto tudo esquecer.

Vila Real de Santo António, 13 de Novembro de 2009 - 09:37h
Jorge Ferro Rosa

quinta-feira, 12 de Novembro de 2009

NA LINHA QUE SE ESVAI

Para quê comentar, para quê dizer aquilo que não me interessa dizer? Melhor é calar... melhor é ficar, ainda que não fique, é que muitos nem estão aí na passagem! Dizer-te coisa pelas minhas travessias, pelos meus espaços, mas ainda que te diga alguma coisa, ainda que coisa alguma, tu nunca ouves nada; percebi isso desde algum tempo. Sabes que mais? Desligo desta vontade, sim, desligo ainda que fiques a pensar outras coisas, cada qual que pense o que bem entenda, pouco terei a dizer em relação a isso. A minha vontade é outra! O meu lugar é sempre o meu lugar só que não me apetece muita coisa, essas mesmas que antes estavam na linha da frente. Estranho! Cansei daqueles convívios todos, das marchas, do folclore e dos fados que me tomavam o coração. Chega de festas falsas, de embelezamentos para as vistas! Sei que não tenho o coração que desejas, sei que detestas esta minha rocha fria, sei que sou diferente, sei de tudo isso e muito mais... mas mesmo assim, a viagem é outra e de nada te serve tudo aquilo que vens a tratar tão paulatinamente.
Desabafos musicais nem isso, creio apenas nas montanhas, nos rios, nas fontes, creio nas estradas, na paisagem que me absorve, no cosmos que me transporta, creio em tudo menos num deus que é cumplice da desgraça. Creio em erros humanos e nos erros da natureza... mas, mesmo assim, também creio na morte que um dia eliminará todos os viventes e que por mais crenças que se apresentem não servem para nada. Sabes o que é o nada? Vazio! Depois que serve o resto? Que servem todas essas posturas? Nada. Chega de tretas e de gente que não presta, chega de invejosos, isso, o tema da ivenveja parece estar na ordem do dia... depois tudo fica vazio. Falta alguma coisa, eu apenas é que cansei e fiquei desacreditado em tão boa gente que de tão boa não me diz nada, porque é tudo um teatro pegado. Desculpa estes desabafos mas a noite sintoniza-me sem que eu diga muita coisa. A linha esvai-se na lentidão das boas maneiras... quebra o sorriso e ouve-me pelo menos uma vez! Não preciso de fretes, não preciso de nada, isso mesmo, mas, cansei de fazer coisas que não servem para nada, chega de presenças indesejáveis, chega de derramar lágrimas por tantos mortos, mas tudo será massa a decompor que se transformará na poeira do Cosmos. Deixa estar tudo na galáxia, e tantos serão os parsecs para perceber algumas distâncias. Não interessa o quark, preciso ser mais minucioso... mas ainda que precise, confesso que não preciso de nada. Na linha da evolução tudo está numa constante mudança... se um dia ainda houver tempo, poderemos falar, poderemos olhar nos olhos e perceber tudo aquilo que aqui não disse. Até ao tempo de nunca ter tempo...

Vila Real de Santo António de 2009 - 21:40h
Jorge Ferro Rosa

quarta-feira, 11 de Novembro de 2009

FOLHAS DE NOVEMBRO

Escorpião malvado…
No verso traçado
No pesar da vida, um rio
Horas a fio…
A força que cantei
O exemplo do secreto
A sombra que rasga
O rasgo da balança
A frase transparente
A face ausente duma criança.

Os livros do sol…
A música tribal,
A água que corre
As pedras que se levantam
Os escorpiões que passam
A casa sem lugar…
O cosmos da alegria
O vegetal sem destino
Esta invernia do interior
A grande alegria, a alegria do amor.

Novembro com folhas…
Sorriso no jardim
A frente que se eleva
O pensamento que ondula
Esta frente outonal
A urgência do mar
Os lábios do sal…
O silêncio impuro
Noite clara, o gesto total.

Noite formatada…
Entre os flancos o começo
O secreto do desejo
A fonte que tresmalha…
A palavra que queima
Naquele rio todo o teu desejo.

Vila Real de Santo António, 11 de Novembro de 2009 – 20:13h
Jorge Ferro Rosa
Escrito na Biblioteca da Escola Secundária de Vila Real de Santo António
Ver: Teoria do Absurdo

ACORDAR CEDO

Estranho acordar cedo e vir para a Net! Vício? Necessidade de partilhar, de dizer algo? De ter a escrita como companhia? Procurar alguma coisa? Tentar preencher o que não tem preenchimento? Afinal porque acordei cedo? Acompanhamento filosófico! Parece que falta alguma coisa ou alguma coisa tenho para dizer e não sei qual a melhor forma de o fazer. Será assim. Desabafos, sim, as minhas tretas para te tentar dizer talvez aquilo que não consigo dizer.
Colocar fotos novas? Para quê? Enfim... ontem não fiz o programa de rádio, provavelmente agora vai ser mais difícil, mas outros contratempos surgiram. Experiências! Preciso de algo mais do que simplesmente estar num estúdio a ler poemas. Claro que gosto de poesia, de escrever, mas neste momento também não me sinto muito motivado para estar a participar nessas coisas, tal como a música, as histórias do acordeão e as sucessões de fado. Que fado! Alguma coisa parece estar diferente. Excesso de trabalho? Não sei... alguma coisa não me parece bem. Em breve faço anos... pois, mais um, para variar. Vou festejar? Gostava de estar com todos os meus amigos, mas vejo e sinto tudo tão disperso que me parece mesmo complicado. Que fazer? Nem sei o que te dizer? Organizar uma festa? Onde? Com quem? Não sei! O ano passado foram cinco dias a festejar. E este ano? Estou aberto a sugestões... todos jantar fora? Bem, cada um paga o seu jantar! Mas o dia dezanove calha a uma quinta-feira e não dá muito jeito para algumas pessoas. Como fazer? Na volta adiar para o fim-de-semana a seguir. Lista de gente! Aguardam-se respostas. Mas, o facto é que estou meio estranho, a insónia veio, mesmo com o frio que se começa a fazer sentir... pois, o Inverno está a chegar. Mencionar nomes? Não. Quem gosta de mim, quem é meu amigo sabe perfeitamente como o fazer, sabe os meus contactos, sabe a alegria que me pode proporcionar se o entender. Sei que há pessoas muito complicadas, sei que alguns apenas não passam de conhecidos e interesseiros... sei como essas coisas são. Mas o que dizer? Pois as palavras parecem esgotar-se e a vida também se esgota.
Desta vez estou um pouco doentinho, uma congestão nasal, um resfriado e coisa e tal... tudo entupido! Bem, creio que em breve tudo desaparecerá e a vida é para a frente. As horas passam e melhor é ir dormir mais um pouco porque logo o dia é bem cheio de afazeres, aulas e reuniões. Que coisa... é preciso grande dose de paciência e vamos todos no mesmo barco para que não se fique só. Só? Sim, isso. Mas só já eu estou aqui na noite. Bem, mas ainda tenho tanto para te falar? Por onde andas? Nova modalidade? Novo visual? Como é? O dinheiro dá para tudo? Olha, para mim não dá e isto de andar a gastar muito também é complicado. Ah ah ah publicações? Como assim? Não é que não sinta vontade de publicar o que escrevo, mas sabes como é! Não acredito em determinadas pessoas e instituições e só avança quem tem padrinhos e disso cansei e coloquei de lado. Realizado? Nem sei, em algumas coisas sim, outras não. É a vida... acordar cedo.
Hoje é dia de S. Martinho, aquelas coisas da castanha assada, do Magusto... confesso que não estou com espírito dessas atitudes. Deixa andar... não me apetece ir para os sítios tomados pela tradição, mas, se for também pode ser uma forma de convívio. Será que estou interessado nisso? Quantas leituras não estarão a ser feitas? Não me interessa! Como te disse, já não acredito em certas pessoas que em tempos antigos acreditava, paciência, é mesmo assim. Cansado de tretas e para tretas já bastam as minhas. Não há paciência, temos pena!

Vila Real de Santo António, 11 de Novembro de 2009 - 05:02h
Jorge Ferro Rosa

terça-feira, 10 de Novembro de 2009

NUM PROCESSO

Muros, sociedade e actualidade, causas e consequências... alguém diz alguma coisa tentando ferir mas que não fere nada! Resistir ou não? Motivos… falsas prendas, atropelamentos mentais, cores de apreensão, o contar que conta que não conta, algo meio estranho, para lá da minha vontade, um algo diferente que me ultrapassa.
Caixa de reclamações, dor de cabeça, o diário que fica por escrever, a vontade que se perde por um reforço não chegar a tempo.
Manhã da resistência, palácio de cores, café fora, depósitos de combustível, vontade de silenciar, terras a visitar num processo sem fim.
A liberdade cresce, os títulos sobem, a luz abraça outra clareira… a febre ainda é magia e o mundo celebra a realidade. Os dias fazem história, selecção arranca com novos apontamentos, eventos numa manhã sem cor, ou a cor da manhã.
Versões, coluna reeditada, uma linha no cartaz do fado, o filme que se adivinha, a notícia da edição das metades para uma ausência sem rosto ou o rosto perdido!
Tudo tão breve e tão moroso, entre o cansaço do salário reduzido… o segredo que se tornou proibido, numa faixa vibrante por um caminho que ainda tenho de encontrar. Encontros e desencontros por nomes cegos, numa colisão tão fria quanto a tua opinião.

Junqueira, 10 de Novembro de 2009 – 10:56h
Jorge Ferro Rosa
Escrito no café “Taberna do Gil e Graça”

segunda-feira, 9 de Novembro de 2009

SEM VOLTAR AQUI

Segmento de um dia
Uma palavra convertida
Um sonho colossal
Talvez o estreito do fogo
Aquela postura
Tudo num fim monumental.

Tralha de todos os dias
As mesmas conversas, o nada
As palavras azedas que consomem
Excesso de preocupações...
Dizer não no momento
Reunião adiada
Comunicação cancelada.

Espaços em aberto, outros
Tamanho do universo sem medida
Fogos que acendem rostos
Rotos sem rosto, aquele
Caminhar sem voltar aqui.

Vila Real de Santo António, 09 de Novembro de 2009 - 10:40h
Jorge Ferro Rosa

domingo, 8 de Novembro de 2009

LEITURA DOMINANTE

No caderno do destino imprimo a minha insatisfação entre as ocasiões que pouco preenchem e os sabores são sempre uma oportunidade de novo encontro. As mudanças fazem do presente um outro colorido, esse que por vezes me falta!
O encontro sustenta possíveis promessas e no meio de tais situações interrogo-me, verifico que o espaço do vazio está sempre vazio. Procuro os antigos amigos, não sei onde estão, o movimento é feito de aparências para iludir os olhares. Bem melhor seria não ser aquilo que sou!
Recordo vagamente alguém, mas não passa disso… outras situações são fugas, corolários de estranheza, movimentos de um faz-de-conta irritante; represento a peça na praça pública e os sonhos são uma mera passagem, dos quais estou cansado. Chega! Chega de orações que não servem para nada, chega disso tudo que deixou de ter significado para mim. Para quê me estar a iludir com situações que não me preenchem? Chega disso… deixa que os outros falem, cada qual que fique com a sua insatisfação, com a sua brutidade. O tempo do faz-de-conta não faz sentido para mim, nem as lendas com as suas sereias e as crenças da treta. Contudo respeito essas posturas de encher! Já pensaste nessas iluminações? Que interesse tem todo o aparato de fantasias? Fico sempre vazio… os preenchimentos são falsos ou a ilusão que crio é que é imprópria. Não te esqueças que o tempo continua a passar ainda que não o aproveites… sei que não o estou a aproveitar; sei de muitas coisas que aqui não te posso falar porque o ponto dominante possui inúmeras leituras.
O silêncio falará acerca da vida e da morte, agora apenas ficam impulsos que se cruzam, uns brilham mais, outros menos, tudo é uma questão de postura.
Deixo-te o momento… só… sem o fingimento do qual tens a especialidade. O silêncio flui e a tua resposta não tornará mais! Não quero isto, não quero nada disto, nem este momento, nem os momentos de ilusão… vou só, por aí, sem destino porque as fontes do destino são como horas que passam que se toldam, como os deuses do sentido.

Vila Real de Santo António, 08 de Novembro de 2009 - 12:28h
Jorge Ferro Rosa
Escrito na pastelaria "Nice".

sábado, 7 de Novembro de 2009

FORA DE MIM


O deus de uma palavra vazia,
Tudo tão longe na casa da eira,
O coração de cântaro…
A minha história, uma laranja
Contra a obscuridade
Com música que acrescentas.

Vives na terra sem rosto…
Entre o sal da língua,
E a metáfora do longe
Entregando a distribuição da morte.

A água ainda corre no ínfimo…
A floração é líquida
O frio chega docemente!
Fico de pele molhada
E o deus das veias adormece.

Meu corpo de neve na noite…
Consome o mês de Novembro
Rasga os versos e os cheiros…
Alfazema, tomilho…
Um punhado amadurecido
Uma frente calada
O regresso do fim, com brasas,
Fora de mim, um lugar aquecido.

Vila Real de Santo António, 07 de Novembro de 2009 – 18:32h
Jorge Ferro Rosa

A MENSAGEM QUE NÃO MAIS VOLTOU

E vai um copinho e toca a brindar eh eh eh eh  e bom dia meu Algarve
Não sei mais daquela mensagem, não sei mais não. Um fluxo de um não sei quê toma-me no seu seio, uma verdade abre outras vertentes e as promessas deixam-me a saudade, uma saudade estranha, um olhar que adormece e que exalta a paciência.
Alguma coisa ficou diferente, a diferença rasgou-me as veias e os outros traços deixam-me entre outros fluídos.
Venho aqui tantas vezes, digo-te tantas coisas, mas, tu nunca lês nada, nunca me ouves, nunca estás... apenas com a morte, com o fado, frio, com uma outra vida... nada do que eu tivesse escolhido. Tomo-me na descoberta e prossigo sem destino, vou, mas continuo sempre no lugar da saudade, aquela que sabes que o meu peito contém.
Lembro-me de outrora... lembro-me! O sonho é sempre lindo, sempre maravilhoso, agora, uma simples lágrima quer espreitar... a revolta é a benção e o corpo diz que quer descanso porque tudo não serviu para nada...
Bem, deixo-te um sorriso porque é fluxo de beleza...

Vila Real de Santo António, 07 de Novembro de 2009 - 07:49h
Jorge Ferro Rosa

sexta-feira, 6 de Novembro de 2009

LIMPEZA DE ESPAÇOS ON-LINE

Por vezes certas atitudes tomadas não têm mais retorno, por vezes o retorno é o não existir. É preciso limpar a casa, é preciso acalmar. Eliminar a lixeira do hi5 e de tantos outros locais, em breve a maioria dos meus espaços criados serão eliminados para que possa ter mais tempo para outras coisas que não esta absorção. Digo sempre isto! Tem de ser... um hi5 com mais de 900 amigos, só para enfeitar, só quatro ou cinco é que dizerm alguma coisa, o resto é para encher espaço. Não. Não estou para isso, o mesmo irá acontecer com o msn e com determinados números de telemóvel de gentinha que se diz "fixe"! Já percebeste como é... ando cansado desde muito tempo. Ando sim, mas não sei quando vou encontrar coragem para eliminar isto tudo. Mas isto serve para alguma coisa? Terapia? Sei que não me vai entender, sei que tudo isto é uma treta, um estado de loucura, mas as experiências de vida vão-nos ensinando e não gosto de muitas coisas que a maioria de determinadas gentes gosta. Porque sou assim? Não devia ser assim, nem pensar... mas sou.

Vila Real de Santo António, 06 de Novembro de 2009 - 13:35h
Jorge Ferro Rosa
PS. Nada de te surpreenderes se já não me veres no teu espaço, é que certamente pouco ou nada tinhamos a ver um o o outro. Alguns que sendo só fogo de vista, prefico nem criar ilusões, talvez este blog também irá à vida. Certamente não deixarei de continuar a escrever, mas por outros campos, simplesmente para os que gostam do que escrevo, ou manter tudo isto em privado, como no hi5. Bem, ainda não sei, apenas sei que alguma coisas se passa. É que estou cansado. Tanto para eliminar... todas as minhas entradas das que faço a gestão na Net. Bem até breve ou até depois... ouo então ainda vamos ficando por aqui.

quinta-feira, 5 de Novembro de 2009

LIBERTAÇÃO E COSMOS

Ligações percursos e motivos para viajar! Outros espaços, outros perigos, outras vertentes e a sede é mais forte... uma nave era o desejável, muita energia e o percurso por outros mundos, campos da astronomia, personalizações mundos a desbravar. Sonho? Desejo? Tanto! NASA... comunicações, efeitos e tecnologias... um dia é para nunca mais ser e o silêncio explode no cosmos. Libertação e calor abrasador... programa APOLO, corrida por outras vertentes. Nada de horrível, apenas anseios e grande sacrifício. Viajar? É excelente. Prazos? Décadas? Reconstruções e muito movimento.
Vazio do espaço? Outra missão? O que pretendes? Mais uma nave que deve ser construída, um módulo lunar, algo adicional, motores e princípios de segurança. Os riscos são muitos, imensos... mas um Saturno 5 tem projecção, contudo algo mais falta. Faltou! Reacções imediatas... a hipótese é uma força, estremece, quase terrível, mas uma vitória. Apollo 8 em órbita lunar, desejos mais elevados... um mundo do fantástico.
Origens, terra, planetas, outros arcos, outros envolvimentos... tempo de rotação, momentos cruciais, sistemas em aberto para tudo funcionar com precisão. Estou mas não sei onde estou... deixo-me perder por outros mundos maravilhosos. Raios de acção, luz e noite... naves da alma e relógios do tempo. Números, contagens... lideranças pelo espaço, contudo muitos desafios estão em aberto. Vidas, muitas vidas... ir até aos mundos sem ar. Dormir no espaço, dormir na gravidade? Mas estar onde? Sensores de controle... centro de controle de missões, aborto de comandos! E agora, para onde vou? Computador sobrecarregado no meu pilotamento... pulsações a aumentar na noite, indicações estranhas, mas mesmo assim supero essa postura.
Uma cratera na minha passagem, uma área plana, uma tensão diferente, rádio em transmissão e tudo o que mais quero é viajar, ir pela minha rota, ir e nunca mais voltar. Meu desejo era ir contigo pelo espaço e tornar-me poeira do cosmos contigo entre tantas as que já lá estão. Satisfação do impossível! Imagens espantosas… será que posso sair desta vez? Euforias da noite e aventuras, outros convites. Outros Apollos… 12, 13, 16 e ritmos espaciais. Eis que o tempo é meta a superar para uma nova descolagem, ainda que pareça estranho. Viagens e plataformas de lançamento entre os raios do universo… grandes forças e correntes eléctricas. Células de combustível e outros órgãos a uma viagem à velocidade da luz! Pensamento e sonho, sonhos da noite, paragens do inconsciente, o grande celeiro de todas as fantasias… talvez estas as minhas. Lista de tarefas para concluir… fotografias na ordem do tempo. Relâmpagos do amor… e outras naves surgem de novos programas. Espaço sideral… grandes velocidades de tripulação e comentários famosos. Dias melhores, outros recomeços… lugares de aventura, com muita coloração. Graças às cores, aos espectros e as horas fluem para o dia seguinte, entre a via láctea e as estrelas, todos os pontos do universo. Estás lá? Outra máscara? Outra crença? Bem, deixo-te aqui uma bola de pensamento e coragem…

Vila Real de Santo António, 05 de Novembro de 2009 - 23:07h
Jorge Ferro Rosa

quarta-feira, 4 de Novembro de 2009

TUDO O QUE CHEGA

Na veia do meu sangue deixo um manto que se ondula ao vento, esquece-se do lugar que golpeia o centro e outro vento que atiça o eixo do centro. Fico disperso na curva dos flancos, nas seitas das rodas, enquanto o sol não chega e tudo o que chega nesse chegar pouco me satisfaz. Tudo o que chega é muito pouco, tão pouco que esqueço pelo esquecimento de não ligar a mais nada.

Vila Real de Santo António, 04 de Novembro de 2009 - 11:15h
Jorge Ferro Rosa
Ver: Associação Portuguesa Ateísta

terça-feira, 3 de Novembro de 2009

NA DIMENSÃO DAS PALAVRAS

Palavras que se semeias, outras votadas à grande dimensão, outras ainda naquele pergaminho, naquelas folhas onde me perco, onde risco todos os meus dias, o mistos de sentimentos, deste estar.
Ficam alegrias entre tantos ventos e outros vendavais, coisas dos momentos, do acaso. Deixo palavras entre rosas, deixo-te versos... versos e outras emoções que nao te posso falar, deixo nestes remendos breves, todos os meus sentimentos, algo que não consegues entender... deixo pedaços do meu viver e um dia será aquele dia, o dia do qual nada se sabe. Outros dias serão outros dias, em momentos diferentes... tudo está a ser diferente por cada vez, por tantas vezes.
Lembro-te, um lembrar constante, um instante diferente numa pauta de notas sem música, em lugar derradeiro, tomado pela ternura, por tudo o que possas tomar em ti, por tudo ou por nada.
Sonhos, mil sonhos, preces de sentimento, com mensagens de uma clareira viva, numa confissão de novos olhares. Tantos olhares dispersos, outros universos, outras vertentes... deixo-te os meus versos, as minhas sementes.
Sou, vou continuando a ser na dimensão das palavras, a ser, pensando que vou sendo, quando tudo o que possa ser ou na aparência disso nada mais é do que um ponto entre tantos outros que se perdem para sempre.

Tavira, 03 de Novembro de 2009 - 18:44h
Jorge Ferro Rosa
Escrito nos estúdios da Rádio Gilão, durante o programa "Onda Poética".
PS. É sempre excelente estar a tomar café contigo; porque será? Estranho, mas é mesmo assim. Vamos ver o que vem depois do encanto... um café e mais tantas outras filosofias. Outras palavras e viagens de encantar. O meu muito obrigado e até todos os momentos filosóficos; que tudo te possa correr da melhor forma.

TRILHOS DO HORIZONTE

No som da voz guardo-te,
No oceano deixo o intercalar…
São os momentos um fumo,
O desejo incontido
A tarefa vagueante
O palpitar do ausente.

Acutilado no grito do gesto
No acaso do não…
Surge o ninguém, o resto
O som do continente
Ondas de indiferença…
Num sorriso diferente
Deixo o ser e toda a pertença.

Na harmonia da alma, atenta
Todos os encontros fluem…
Fugaz esperança,
Vozes sem conta,
Depois de uma afronta
Difuso o sentimento
Interior distante, nas veias do vento.

Submerso no instante…
Aqui, talvez vagueante
Horas de sonho, de dúvida
Este desassossego…
O império das sensações
O silêncio surdo, as emoções
Um todo, todo tornado levante.

Desejo sem idade, o rumor
O tempo da passagem
Igual ao nada, Deus e o amor
Todo o instante numa imagem.

Uma voz que se eleva…
Perfume de indolência,
Turbilhões de escrita…
A criação erudita
Mundo algum, outras formas
Agitação, crivo da inteligência
Rumos de silêncio, total!
Som do horizonte, nada igual.

Tavira, 03 de Novembro de 2009 – 16:36h
Jorge Ferro Rosa
Escrito na pastelaria “A Princesinha”.

segunda-feira, 2 de Novembro de 2009

A COR COM QUE TOMAVA

Da cor que a cor já não tem
Outras cores no lugar de ninguém
Sabem-me a mel, depois do desdém
Com um cheiro metálico, com azedume
Aquele fogo do teu grande lume...
A cor com que tomava em mim o além.

Vila Real de Santo António, 02 de Novembro de 2009 - 23:40h
Jorge Ferro Rosa

VERTENTES QUE VAIS DESENHANDO

Depois de tantas conversas que tivemos a vontade aumentou, aumenta sempre e muito do que passou parece que se mantem presente. A tua presença é sempre desejável, com o amor das palavras, com as mil vertentes desenhas, umas dispersas outras em plenos e absolutos nadas. Quantas coisas ficam por dizer, ultrapassam toda a dimensão das aulas, das conversas de café, de tudo aquilo que tanto se deseje e de tanto se desejar deixa sempre um vazio. Falas tu do meu vazio, talvez seja melhor falar do teu e de tudo aquilo que arrumaste na prateleira da tarde. Confesso que é muito tarde e o aniversário está para breve, como outras coisas tantas.
Hoje telefonaste-me, claro que fiquei contente, mas ao mesmo tempo triste... agora não sei quando voltas a telefonar, não faço a mínima ideia, claro que tudo passa e outros preenchimentos vão-nos tornar diferentes. Passam as horas e todos os dias, tudo passa e passaram as minhas crenças, todas, sim, até mesmo aquelas que pensavas que não me passavam. Tudo lentamente vai passando, sabes que é assim e o envelhecimento vai chegando. Sei de tudo isso, sei sim, mas essas vertentes ainda vais desenhando, porque mais insatisfação que tudo possa imprimir.

Vila Real de Santo António, 02 Novembro de 2009 - 11:26h
Jorge Ferro Rosa

domingo, 1 de Novembro de 2009

INVASÃO INACABADA


A cor do desejo modela-se pelo teu disparate pela fé de não acreditar em nada ou isso do que se crê não passar de um preenchimento do faz de conta, falso. Tudo tem alguma possível aparência em conformidade com os princípios do imaginário de cada qual, mais ou menos ajustado por um movimento que se impõe desde o início. Algo representa algo em palavras que coabitam umas com as outras numa dinâmica que faz pulsar o sangue no coração dos mortais.
Mundo de sons e de imagens tomado na mente de um vagueante no jardim de ninguém ou de toda a gente. Imprimes atributos e alguma coisa fica por resolver ainda que algumas imposições desfaçam consciências, algumas distraídas. Som próprio porque ainda existe a dinâmica e as contemplações, ainda distraídas! Acasos… sons do disperso, acontecimentos de consciência, quando ela existe; antes eu nunca tivesse existido! Esquecimentos em favor de benefícios, lutas e atritos. Listas de sentimentos que não servem para nada, tudo trocado, irremediavelmente numa cartografia de palpites. Labirintos de confusão, de entendimento, de entupimento, tão lento quanto o andamento do cosmos. Tudo está mas nunca está é apenas um artífice de ilusão.
Erra-se e pede-se desculpas, cada desculpa tenta ser mais fundamentada do que a outra enquanto a morte não chega.
O primeiro princípio é sempre estranho, a sua necessidade é a hipótese da necessidade! Um até logo ou um até sempre é a articulação de circunstância. Vamos para algum sitio mas não sei para quê, ir só por ir ou ir porquê é tradição. Inventaste a tradição e a tradição é o pretexto entre outros, entre tantas vertentes a colidir numa ansiedade desmedida.
Fabricam-se situações e princípios de inutilidade… é esta insatisfação constante timbrada pela distracção. O tempo amadurece os preconceitos… todos esses de enfeitar. Chega. Tudo abandonado no universo, na floresta as ideias por uma presunção sem nexo. Rotina do movimento, do universo por posturas que estão sempre inacabadas porque a invasão é o nada.

Castro Marim, 01 de Novembro de 2009 – 10:26h
Jorge Ferro Rosa
Escrito no café “Encontro de amigos”.
Ver e ouvir: Sobre a Morte

DIA DAS TRETAS VERSUS TRETAS

Hoje chamaram-me de amargo por dizer o que penso, o que acho. Simples, porque não acredito nessas tretas dos dias das bruxas e outros onde nada mais há do que um exibicionismo. Dia de todos os santos, natal, páscoa e por aí fora. Desculpa, mas não acredito em nada dessas coisas de encher e tapar o tempo. Tudo tretas... concordo com o José Saramago e não é ser mau, nem amargo, é ser realista. "Caim" é agora livro de cabeceira...
Pai Natal é treta, imaginário que não serve para nada. Carnaval a palhaçada toda... e vem deus para encher, para dar que pensar ou fazer a quem não tem sentido para a vida... o que é que se sabe de tudo isso? Pouco ou nada...
A vida uma treta? Talvez sim... imaginário? Para que serve? Para iludir, porque está-se irremediavelmente perdido? Olha, sai mas é do armário... aparece e não compliques a vida mais do que ela é.
O velho tem razão sim...
Não gosto dos dias que são votados à angustia, nada dessas coisas... nada mesmo.

Vila Real de Santo António, 01 de Novembro de 2009 - 01:24h
Jorge Ferro Rosa

sábado, 31 de Outubro de 2009

ATREVIMENTO DA MANHÃ



Adivinha-se sempre uma nova resposta, um outro ponto de vista mais ou menos completo, contudo, alguma coisa está sempre a faltar. Os dias somam-se a dias, as tradições parecem ser a vida de uma comunidade, mais ou menos justa, com as agitações de situação e os compromissos tecem desafios epistolares, não por todos aferidos pelo mesmo padrão.
Os fantasmas movimentam-se na mente dos mais sensíveis, há como que um atrevimento perene, meio estranho. Não avanço sem que questionar, sem levar à palmatória os conteúdos da razão, tomem eles a proporção que se possa entender. Muito do que sucede, confesso que não entendo, ultrapassa-me a níveis incomensuráveis, contudo, não deixo de problematizar. Confesso que existem pessoas muito interessantes… estou em sua descoberta, simplificando as situações no segredo de viver; este é o maior desafio, outros atrevem-se… tudo é imparável. A imaginação é aquilo que de mais atrevido em nós existe, activa situações do impensável e procuram-se respostas na tentativa de justificar quase o injustificável. A questão justifica-se quase sempre por aquilo que nos toca! Inventas, activas as erosões do coração.
Por vezes utilizo a conformação, a acomodação e parto para outro mundo porque naquele nada mais há a fazer… todos os dias é o dia da descoberta, o dia do desafio. Qual é desta vez? Pontos de activação em avanço, caminhadas e propósitos a desbravar. O conhecimento possibilita atingir a realidade, igualar, colocar ao nível… o resto é para esquecer e dizer não. Tal como tu sou diferente, o meu portal é outro… um dia destes tudo será igual e o sorriso tomará outra proporção. Cada um lida com o seu segredo! As vivências são a medida dos objectivos, contudo, torno-me diferente no olhar, sabes disso.

Castro Marim, 31 de Outubro de 2009 – 10:37h
Jorge Ferro Rosa
Escrito no café “encontro de amigos”.

FICAS TU E NÃO FICAS


O fogo do meu corpo adivinha-se
É sol que se torna noite…
Paisagem de cores em remodelação,
É mudança diária de todos os diários.

Este fogo é transparente e eleva-se!
Tu também te elevas e morres assim,
O centro da passagem encurta…
Ficam os sentimentos que morrem
Fica o silêncio de que sempre te falei
Fica a verdade que se eclipsa…
Ficas tu e nunca ficas, morreste.

Vila Real de Santo António, 31 de Outubro de 2009 – 11:30h
Jorge Ferro Rosa

sexta-feira, 30 de Outubro de 2009

ALGUMA COISA


As causas, as multidões e as vozes…
Um rosto, uma ânsia de fórmulas,
Frentes de movimento
Lógica da decisão
Metafísica tracejada
Passos, os meus, os teus
Um raciocínio para nada.

Mundo e coisas, hipóteses…
Traços e asneiras de batalhas
Um telefonema, uma mensagem
Um dizer que nada diz…
A devastação, a imagem.

Uma hipótese sem hipótese!
A dialéctica dos sentidos…
Qualquer coisa que nada tem
Alguma coisa, a coisa de alguém
A vertente que passa e adormece
Ninguém que parece que não aparece.

Vila Real de Santo António, 30 de Outubro de 2009 – 06:30h
Jorge Ferro Rosa

quinta-feira, 29 de Outubro de 2009

DISFARCE VÂNDALO


Na metade das palavras enceto a outra fronte das ondas dos desejos desembocados nas ribas de uma inquietação original ante o mar do desconhecimento, tão real quanto a plenitude do tempo recortado… nesse local a minha visão torna-se diferente.
Na tarde parecida com a noite sinto o longe da brancura, a transparência do fundo no eflúvio de violetas e flautas, numa harmonia lilás. A cor alucina-me numa outra cor, prende-me nos gritos do indefinido, nesta tumultuosa existência, nas vertentes de uma sagrada junção, ainda que marginal. O silêncio antigo ainda me acompanha, veste-me com o fado, num espelho esférico como aquilo que não te preenche. Deixo-te no sânda-lo o meu disfarce africano… a hora torna-se simétrica na coreografia dos meus sonhos tomados do aplauso do esquecimento.
O meu corpo despede-se do tempo, lentamente, docemente ante os preceitos metálicos do sonho e o disfarce do meu olhar.
A trajectória traduz-me um mosaico, o esplendor do tempo, da poeira peregrina na caminhada dos sulcos esquecidos onde bebo da pátria emocional.

Vila Real de Santo António, 29 de Outubro de 2009 – 02:38h
Jorge Ferro Rosa

terça-feira, 27 de Outubro de 2009

FOCOS DO INESPERADO


Que te posso dizer? Todos os elementos radicam-nos num princípio lançado, numa actividade que faz brilhar o ser, estendendo-se a impulsos, cada vez maiores. A dimensão das instâncias agita, deixa gotas de filosofia nas arestas, num impasse que eu próprio não sei traduzir; perco-me na questão de mim mesmo, nas entrelinhas do tempo, num vago psicológico ainda que saturado de outras metades. Esqueço-me da vontade dos nomes… dos encantos das promessas e o sono chega sorrateiramente. A palavra possui um significado estranho e a ansiedade dilata as posturas do compromisso num truncado de outras interrogações. Perco-me no caminho dos verbos, no fogo dos significados e das amplitudes das normas ultrapassadas, ante o mundo das fábulas e sentidos de correspondência.
O imediato entope-me de sons, de distâncias entre o ser e o pensar como se fosse obrigado a alguma coisa; não deixo de dizer o que sinto e penso, a minha frontalidade abre indisposições… pouco me importa!
O mundo dos meus sentimentos descreve um quadro diversificado, por vezes anónimo, por vezes aglutinador, ainda que o oculto seja uma máquina de mobilização. Não me tomo no medo nem faço do medo bordéis de temor, devolvo o estilhaço da palavra e não quero compromissos de obediência. Não tenho que ser o que tu desejas que eu seja, sou como sou, não incomodes… máquina é a minha beleza antiga!
Não me sujeito a tretas de presunções descompassadas, uma vez que o passado me ordenou a rejeitar tudo daquilo que não goste, votando-me ao silêncio e à indiferença. Entendo que a destruição tem a sua utilidade quando fere o bem-estar do outro, o desprezo é o primeiro avanço.
A aurora toma-me a passagem, o contrário é a renúncia da claridade! Os focos do meu olhar ultrapassam a sombra… sei que sou esquisito, mas não incomodo… temos pena de quem não gosta e não é uma questão de educação… a novidade é sempre o inesperado.

Vila Real de Santo António, 27 de Outubro de 2009 – 10:38h
Jorge Ferro Rosa
Escrito na pastelaria “Simples momentos”.
Ver: Imagens e Niilismo

segunda-feira, 26 de Outubro de 2009

VERTENTES DA NOITE



Madrugada acesa no olhar
Livro que se abre na doçura
Imagens soltas…
Ritmos assíncronos na noite
Na memória de um desejo.

Sublime a cor do sonho…
Candura que se alinha no fogo
Enunciados abertos nas mãos
Traçando o astro do amor altaneiro.

Madrugada aberta, no Sul…
Nascente do rumo, do sangue
Do anónimo do movimento
Em todos os vapores desmedidos
Ao lado do vento, sem cor.

Imagens nas minhas artérias…
A noite quente, recheada, doce
Numa vertente algarvia que sorri.

Vila Real de Santo António, 26 de Outubro de 2009 - 03:55h
Jorge Ferro Rosa

domingo, 25 de Outubro de 2009

TALVEZ NÃO DIZER

O tempo flui continua a fluir na sua marcha imparável...
Despejar o lixo, dizer sim, dizer não, mandar tudo para outro lado, ficar calado e depois dormir entre as flores da natureza, recortando a eternidade. Talvez não dizer mais nada e no nada tornar-me felicidade. Viajar e ir sem destino é aquilo que ainda me preenche... isso já vem desde pequenino! Hoje abalei por terras distantes, estranjeiras, terras de sol e do mar... fui. Falta algo entre os prados verdejantes... o tempo flui por todos os instantes e lentamente vais desaparecendo entre a diluição das núvens!
Agora apetece-me apagar este espaço de estrelas, apetece-me ficar aqui apenas nas cores, não pronunciar mais uma palavra para quem quer que seja, apenas tomar-me nos sabores. Também não sei porque é que devia ficar aqui... fico entre todos os horizontes...
Fico a ouvir a minha música, fico neste espaço virtual com toda a gente e com ninguém, mais aquele pedaço de infinito. Brindo o dia com vontade, tomo um copo para elevar a amizade e diluir a mágoa da mágoa que não faz sentido e o sentido eleva o sentido. O meu espaço é proibido e todas aquelas coisas que se dizem não me dizem nada, nada mesmo. Depois de tudo fica o silêncio da felicidade...
Que te posso dizer se não tenho nada para dizer? Digo! Que treta! Tenho fome, mas passei o dia todo a comer flocos, parece que estou estranho no meio da estranheza, quase insaciável é a minha fome. Bem, melhor é não dizer mais nada, ficamos por aqui, porque ainda vou viajar, porque ainda vou fazer mais alguma coisa antes de ir dormir. Um livro de filosofia, uma página de psicologia, uma postura alternativa e uma canção debaixo das mãos, entre os dedos que primem uma multiplicidade de botões!
Chegam uns sons apetitosos, chega algo que não esperava, mas nem isso serve para preencher este espaço... agora nada me pode preencher uma vez que todas as crenças cairam por terra. Filosofias da noite, de toda a hora, do sorriso, acrescentadas às de outrora, mesmo que avance um passo indeciso.

Vila Real de Santo António, 25 de Outubro de 2009 - 18:05h
Jorge Ferro Rosa
Ver: O homem que sabia demasiado

sábado, 24 de Outubro de 2009

EM MEU REDOR UMA COR


Antes escrevia noutros termos, antes estava mesmo não estando entre as cores; agora não estando ainda estou mais acima. Que coisa este estar! Tanto por que deixei de ter interesse, tantas contradições e medidas sem padrão... música feita de um nada, uma composição, um arejar a emoção... ganhei a vontade de comunicar com quem não comunicava, senti isso. Tudo é meu desejo, porque fortaleci, porque ampliei o meu percurso.
Agora, sei de outras coisas e embarco noutras aventuras....
Não sei se sei. O tempo continua a passar, nem sei com quem partilhar, ainda que desabafe não tem qualquer fundamento tudo o que te possa dizer, tu não estás. Todos os fundamentos ganharam um outro sentido neste espaço!
Um certa loucura instala-se, lentamente, é suave, é doce... também não serve para nada, nada mesmo porque é a minha loucura. Fico-me por aqui, tento alterar o ambiente todo, tento arranjar a companhia das palavras e das motivações ainda que salpicadas de cores. Fico-me sem dizer-te mais nada e o que digo é nada porque o vento veio arejar todo o meu espaço.
Ouço no computador antigo a música que ficou esquecida, a marcha da minha vida, fico-me entre os sons, entre os papeis, entre os ventos e as coroas do bem... procuro sons e apenas imagens elevadas aparecem decorando o meu caminho. Fico cheio de vontade, somo a antiga, anexo a promessa do outro tempo e o vento corre demansinho enquanto a chuva não chega. Tudo está mais belo ainda. A hora está a mudar, muda hoje, sim, hoje é dia de mudança! Amanhã é outro dia tal como tantos dias têm sido. Tudo o que tem sido é uma miragem estre miragens que contribuem mais para a minha elevação, tal como tudo o que tem vida, como tudo o que está em meu redor...

Vila Real de Santo António, 24 de Outubro de 2009 - 19:44h
Jorge Ferro Rosa

DESSAS TRETAS EGOÍSTAS


Energias... chega de teorias do caos ou formatos de estupidez! Deixa-te disso, deixa de ser inconveniente, deves pensar que assim te aproximas mais de mim. Sai da minha linha de visão, desaparece, deixa-te disso, deixa de aborrecer quem não deves. Não preciso da tua presença nem do que pensas ou possas pensar acerca de mim. Manias e tretas! Gente convencida, cagona... ingrata, isso tudo coloco no lixo juntamente com a outra merda. Nem para adubar a terra servem.
Mais um atrevimento e egoismos de situação! Deixa-me ir dar uma volta porque já estou mal disposto, uma indigestão de momento e parece que outras se avizinham. Risada... Estou cansado, vou dormir, sinto um aperto no peito, algo meio estranho e não te esqueças que tudo isso nada me diz. Excesso de tabalho, nem consigo pensar e sem vontade de sair do local, mas vou sair.
O dia ainda é grande... bem, deixa ver quem são os cuscos de situação que vão assaltar a gamela! Mais alguém na fila? Cala-te bixa fedorenta! Não vês que estás a incomodar com esse tipo de postura? Vá, sai do meu caminho e não te esqueças que não são só as senhoras que têm direito aos produtos de beleza, também gosto e não sou senhora. Qual é o problema? Nada de descriminações e de vaidades reprimidas. A coisa está quase a rebentar... o estoiro vai-se ouvir lá ao fundo. Não venhas com a mesma conversa do outro dia, já ouvi e além do mais não estou interessado no teu tipo de conversa, muito menos no teu tipo de personalidade,não são todas as posturas que me interessam. Detesto ficar mal disposto e fazer figuras de palerma! Melhor é nem te responder e chega de cusquices... dessas tretas egoístas apesar de teres muito dinheiro, olha que isso não me compra, pelo contrário distancia-me cada vez mais de ti. Inutilidades... não semeis ódios, não semeis indisposições e antes do mais um pouco de humildade não te ficava nada mal. Vá segue o caminho da tua casa...

Vila Real de Santo António, 24 de Outubro de 2009 - 08:04h
Jorge Ferro Rosa

sexta-feira, 23 de Outubro de 2009

ESCOLHOS DE PERCURSO

Um pedaço de mim esvai-se nas entrelinhas do nada. Isso que esperas não te posso dar, o meu ar maléfico vira a página do dia e consome os sabores sem que a vontade antiga venha a implementar-se. Ausento-me desses percursos e essas vontades parecem-me diferentes, somam características inalteráveis, comuns à maioria dos mortais, contudo, agora no silêncio indizível.
O princípio da focagem nem sempre é possível, dilui-se em posturas anónimas e os panoramas executam outras vertentes.
Posso, vou, sem olhar para trás, sigo a mensagem da minha consciência e acerto as premissas do meu entendimento, ainda que aqui não entendas nada do que te escrevo… isso pouco me importa, sei que as distâncias se vão instalar, também sei que os meus interesses são diferentes dos teus.
Tudo isso não me interessa, a luta é vagarosa… outras vontades activam-se, outros paralelos executam nomes e diferentes interesses… resta-me apenas esquecer os escolhos de alguns percursos.

Vila Real de Santo António, 23 de Outubro de 2009 – 10:53h
Jorge Ferro Rosa
Escrito na “Pastelaria Simples Momentos”.

quinta-feira, 22 de Outubro de 2009

ENTRE A JANELA E O VENTO


Entre a janela que ainda está meio deste local, que ficou aberta ocasionalmente, tu deixas correr o ar... muito desejável, neste dia de fim de tarde, tomado por uma presença ou tantas outras que me passam ao lado. Pleno Outono! O lado é sempre ali, como tudo aquilo que está aqui, parece que está.
O vento veio arejar o meu cabelo, segurar-me a vontade, esticar o fio da minha alma e dizer aquilo que de outra forma não se interroga. Nada de interrogações despropositadas, porque já chega tanta avareza de compreensão. Entre a janela e o vento passa uma mensagem sempre nova, sempre renovada, por uma saudade contante, ou inconstante, aquela que tu não te apercebes mas que é valiosa. Tantas mais valias deixaram de ter lugar no meu espaço, o tempo foi lentamente alterando as situações, os meus modos de sentir e de estar. Pareço estar para não estar... trocam-me o nome, dizem por identificação, um tretas, uma avareza de olhar, se passar... acidente ocasional, isso que prefiro no lixo lançar.

Vila Real de Santo António, 22 de Outubro de 2009 - 16:56h
Jorge Ferro Rosa
Escrito na Biblioteca da Escola Secundária de Vila Real de Santo António
Nota: Para a minha prima, os votos de um feliz aniversário, sabes como é. Pena não poder estar ai, mas o serviço absorve-me.
Netcarshow

quarta-feira, 21 de Outubro de 2009

OLHAR VIOLETA

A noite perdeu a cor no oceano do tempo,
O licor da lua adormeceu... no fundo
O som perdeu-se no meu coração, no mundo
E o vermelho da saudade escureceu, orifundo
Ante o firmamento da enorme escuridão.

As palavras passaram... esqueci-te!
O prazo da espera diluiu-se, docemente
Cairam lágrimas na serenata,
O noivado dos desejos avançou,
Dei minhas mãos no leito frio
O fundo de mim tomou a chuva
Sentei-me, fiquei só... quebrei o amor.

Nem uma lágrima, nem restos de amargura...
Apenas silêncio, apenas indiferença
Apenas o reino do nada para o nada total,
O nada daquele sorriso temporário!
Eis-me na noite, anoitecido a ti igual...
Melancolicamente extasiado!
O meu olhar violeta, proibido,
Entre as cores antigas do tempo vivido.

Vila Real de Santo António, 21 de Outubro de 2009 - 05:42h
Jorge Ferro Rosa
Nota: Acordei cedo, tomado pela curiosidade sobre o livro "Caim" de José Saramago, confesso que não é dos escritores que mais gosto, contudo desperta-me sempre a atenção, a sua coragem e o modo como enfrenta a sociedade; mais polémica, diz verdades inabaláveis e incomoda os que não querem ver a realidade. Caminha-se tomado pelos mistérios do não dizer ao que o escritor tenta dizer alguma coisa, criando agitação e lançando por terra os dogmas de autoridade. Filosofamos! Há que pensar pela própria cabeça e José Saramago pensa e diz. Deixo aqui os meus sinceros parabéns e felicito-o pelo atrevimento à abordagem destas temáticas. Um bom livro é aquele que mexe com os outros e não aquele que fica no silêncio. Outros escritores também o fazem mas a revolta pode virar todos os princípios que sustentam os bons constumes! Sei que Saramago tem muito mais para dizer, muitas mais verdades a que muitos não estão habituados, desde a religião à sexualidade. O pior de tudo é que como ele diz "somos enganados desde que nascemos"! Não será? Estamos condenados logo que nascemos e para sempre... descubro hoje que sinto exactamente aquilo que ele diz! Mas falta muito mais... ele diz, continua a dizer e tem mais para dizer. Que coragem, mas é isto que também sinto. Que estará Deus a fazer agora de interessante? E viva o Senhor! Senhor ou Senhora? Alguém conhece o sexo de Deus? Ninguém o viu... dizem-se coisas e toma-se pela fé, supõe-se a situação que nem sequer se tem imagem mental e tudo o que se diga de Deus não serve para nada, talvez um tema de conversa para encher, perder o tempo, ou aproximar ou afastar pessoas. Respeito, contudo há muito para dizer e o melhor agora é ir ler o "Caim" do amigo Saramago. Boa? Bem, mas a noite já vai longa e eu ainda por aqui a estas horas da madrugada... e a noite trouxe-me a insónia. Bem, não faço a mínima ideia como vai ser logo, nem me posso preocupar com isso, com tantas tarefas, alguma ficará de fora... já esquecia dizer-te que depois do almoço tomamos café na praça do Marquês, caso não esteja a chover! E vamos à conversa sobre o tema do escritor, mas isso fica para logo, talvez possa produzir algo para partilhar com os amigos mais chegados porque os outros têm mais que fazer do que aturar-me! Outros? Conhecidos. Ando eu para aqui a convencer-me de tretas... é sempre a mesma história... vique-se com o olhar violeta, tendo em conta o significado, esse que tens na tua cabeça, se tiveres, como é óbvio. Até já!...

segunda-feira, 19 de Outubro de 2009

TAREFA SEM RESPOSTA


Na inocência do tempo tu aconteces e o tempo passa, o paraíso sustenta-se de infinitos, eternidades, essas que o próprio Deus esquece ou parece estar esquecido.
Não tenho percepção de eternidade, nem de Deus, nem do outro lado da vida! A alternativa é a surpresa… o caos a possibilidade do não ser, ainda tomado pelo desarranjo.
Sou de carne e sangue, bebo uma cerveja e o cosmos bebe-me a mim, sou mais uma partícula entre os infinitos que o compõem. O cosmos não considera o meu desejo nem a minha vontade, tal como Deus, isso que inventaram, para acalmar as consciências. A minha consciência não é a do cosmos e a de Deus foi adiada… está a descansar, subjugou-se ao deixa andar porque tudo será reduzido a nada… a terra é um dos planetas menores e a natureza é soberana. Que é feito dos talentos de Deus? Cansou-se de dar soluções à humanidade ou tem o prazer da destruição? Qual é o pretexto de uso para não dar solução… são as desculpas de convivência.
De que serve a evolução quando o caos é certo, a morte é a confirmação do seu fim! Então, Deus não é responsável pelo seu projecto? Esqueceu-se ou isso já não convém relembrar? E vamos todos morrer, este é o prémio que nos dá! Deve ficar feliz com a morte, tanto é que todos morrem, foi a sua ditadura, a sua imposição total e em nada altera, nem uma vírgula! É bom isto? A lei da natureza face aos vivos é que todos vão morrer, todas as espécies e as forças cósmicas tomarão em si potenciais de energia.
Sou o que sou mas não sei para que sou, a descoberta é um processo constante, mas, nada se sabe, tudo se cansa nessa tarefa, a resposta nunca chega, fica em aberto todas as suposições.

Vila Real de Santo António, 19 de Outubro de 2009 – 17:46h
Jorge Ferro Rosa
Escrito na esplanada do café “Cantinho do Marquês”.

Nota: ah ah ah deixa-me ir ver o “Manual de maus costumes”, “Catálogo de crueldade da pior natureza” como disse José Saramago. Pois é, ele publicou mais um livro”Caim”. Deve ser interessante, super interessante! Diz que Deus é cruel, é insuportável, enfim. Afinal somos manipulados desde que nascemos e depois a ignorância provoca atrevimentos a esses mesmos crentes, e de certa forma para toda a gente. Provocas reacções e incomodas muita gente. Mas não serão declarações insultuosas, enfim, não dou credibilidade ou legitimidade sobre determinados assuntos a determinadas pessoas, sejam ou não da oposição. Não será isso uma obsessão anti-religiosa, crente revoltado, bem, todos os problemas do mundo são criados pela Bíblia e pela religião, olha que agora muita gente passa a ler a Bíblia, eu já estou a ler todos esses absurdos e vou fazer uma listagem! Onde está a legitimidade para falar nisso agora? Que declarações posso acrescentar? Há gostos para tudo, mas não dês a dimensão à coisa que ela própria não tem. Vais esquadrinhar a Bíblia à procura daquilo que poderá confortar as tuas ideias. Boa? Não venhas de má fé! A Bíblia é o retrato da condição humana, do lado mais sombrio e do lado mais luminoso, todos somos capazes do melhor e do pior na passagem pelas escrituras. Que arrogância essa! Caramba! Sempre a mesma tonalidade… bem, mas em breve vou comprar o livro dele. Estou curioso e tu? Também? Ah ah ah tenho de ver o que diz o meu amigo Padre Mário de Oliveira, não será boa coisa, olha que dois. Eh eh eh

domingo, 18 de Outubro de 2009

MERGULHO NO ACASO


Falta-me tempo, apenas preciso ajustar-me neste mundo luso, completando as metades, os interesses, numa viagem mais acelerada indo ao encontro da tinta do nascimento. A vida passa entre o equilíbrio difícil, no convívio das suas partes e na vitalidade da coerência.
Perco-me nas interrogações, no seio das somas da razão e sou na memória uma outra vertente. Filmes da imaginação… num aplauso de imagens que preenchem todas as medidas consideradas! “Lana Caprina” era o que pronunciavas… clichés do mar e da imagética colada numa marca de retalhe, a uma falta de sensibilidade derrubando os contrários. Jogos e palavras da estranheza ante a criatividade.
Continuas sempre diferente nos movimentos… paulatinamente olhas a minha expressão, beijas o meu sorriso e interiorizas multiplicidades e encantos da memória.
A fórmula devolve a originalidade e perdemo-nos em divagações na tentativa de nos encontrarmo-nos! A moda absorve, está à mesa entre as várias conversas. A beleza dos sentidos aproxima, exibe pontuações e constrói outras categorias.
Desprendo-me e mergulho no acaso, surge sempre uma revelação difícil de traduzir… sinto que ainda não chegou a hora.

Vila Real de Santo António, 18 de Outubro de 2009 – 10:22h
Jorge Ferro Rosa
Escrito no café “O coração do Marquês”.
Ver: Da Literatura

sábado, 17 de Outubro de 2009

BELEZA NA NOITE


A beleza um café na noite,
Os sentidos, uma estética maior
As sombras um outro nome
E os nomes a abundância do infinito.

A dialéctica deixou-me um propósito
O ar nestes pulmões, com outras cores
A alma a respiração toda azul e inteira
As cores da entrega, na paisagem frequente
Uma paisagem de gotas intensas
Rostos e abraços muito fortes, num café.

Fica a cápsula da esperança, os mapas…
A geografia dos desejos e dos outros sabores
Tudo numa actualização sem palavras
Como o poema de mãos livres e anónimas.

Vila Real de Santo António, 17 de Outubro de 2009 – 03:45h
Jorge Ferro Rosa

sexta-feira, 16 de Outubro de 2009

ESPAÇO VAZIO


A mesa está vazia, o café foi pedido, movimenta-se o vento, surgem visitas e ninguém aparece. Uma longa história, um longo caminho, muitas hipóteses… falta acertar na que convém mais. Por vezes não te entendo, falas de filosofia, falas de muitos conhecimentos… mas o teu interior nada tem! Falta-lhe toda a filosofia, falta-lhe a essência e tudo fica como no tempo sem tempo.

Vila Real de Santo António,16 de Outubro de 2009 - 09:40h
Jorge Ferro Rosa